"ALIMENTOS FUNCIONAIS"

Alimentos funcionais podem ser descritos como alimento semelhante em aparência ao alimento convencional que consumido como parte da dieta usual é capaz de produzir demonstrados efeitos metabólicos ou fisiológicos úteis na manutenção de uma boa saúde física e mental, podendo auxiliar na redução do risco de doenças crônico-degenerativas, além de manter suas funções nutricionais básicas.

Soja Mais de 30% das fibras encontradas nos grãos de soja são solúveis. É rica em lipídeos (18 à 20%), sendo gorduras saturadas (15%), monoinsaturadas (23%) e poliinsaturada - ácido linoléico - (58%). A soja é uma boa fonte de vitaminas do complexo B, especialmente a riboflavina e niacina, além de ácido fólico e ascórbico (Tavares, et al, 2000) . Em populações orientais, observou-se baixa incidência de doenças crônicas, como o câncer, osteoporose e doenças cardiovasculares. Esses dados podem estar relacionados ao fato de que em países asiáticos o consumo de soja seja 30 a 50 vezes maior do que na população ocidental. A soja foi incluída entre os alimentos funcionais por ser a principal fonte de isoflavonóides, que constituem-se em fenóis estruturalmente semelhantes ao estradiol dos mamíferos, e por exercerem atividades estrogênicas, são comumente referenciados como fitoestrógenos. Esses isoflavonóides, proporcionam benefícios em doenças cardiovasculares, arteriosclerose, câncer, osteoporose, doenças renais e manifestações da menopausa, através das suas três diferentes formas de ação: como estrógeno e antiestrógeno, como inibidores de enzimas ligadas ao desenvolvimento do câncer e como antioxidantes (Tavares, et al, 2000). Como foi comprovada a ação da soja na redução do nível plasmático de colesterol, o US Food and Drugs Administrations (FDA) concluiu que elas podem reduzir a incidência de doenças coronarianas, aprovando a alegação "reduz risco de doenças cardiovasculares", para alimentos que contenham mais que 6,25g de proteína de soja/porção (Tavares, et al, 2000).

Tomate Atribui-se a ele a característica de alimento funcional, pois contribui com cerca de 85% do licopeno ingerido diariamente. O licopeno é o principal pigmento responsável pela coloração do tomate, sendo um carotenóide que funciona como atioxidante, agindo na neutralização de radicais livres, protegendo o envelhecimento das células e estimulando a função do sistema imunológico (Salgado, 2000). Além do tomate e seus derivados, este pigmento pode ser encontrado na melancia, outras frutas, como a goiaba, por exemplo, e vegetais, porém em menores quantidades (Salgado, 2000; Paschoal, 2001). A biodisponibilidade do licopeno nos produtos de tomate processados é maior do que nos tomates frescos (Shi e Le Maguer, 2000). O licopeno do tomate fresco não está prontamente biodisponível e que quando levado ao aquecimento ocorre o aumento da sua biodisponibilidade (Gartener, 1997). Segundo estudos verificou-se que produtos derivados do tomate quando consumidos com óleo de oliva, mas não de girassol, melhora a atividade antioxidante do plasma (Lee, et al, 2000). O consumo de tomates, molho de tomate e molho de pizza, na freqüência de 10 ou mais vezes por semana, foi significativo (redução de > 50%) quando relacionado a menor incidência de câncer de próstata (Giovannucci, 1995).

Vegetais Crucíferos Os vegetais crucíferos (brócolis, repolho, couve e couve-flor) são ricos em glicosinolatos que contribuem para a redução do risco de câncer. Os compostos ativos glicosinolatos são um grupo de glicosídeos estocados nos vacúolos das células de vegetais crucíferos (Salgado, 2000). Estudos demonstraram que o consumo de repolho, brócolis, couve-flor e couve de bruxelas reduziu o risco de câncer em 70, 56, 67 e 29% respectivamente (Salgado, 2000).

Vinho Tinto O vinho tinto, mais especificamente a uva vermelha, devido à atividade antioxidante e substâncias protetoras capazes de inibir a agregação plaquetária e a coagulação, além do efeito antiinflamatório (Dreosti, 2000). O composto ativo da uva são os flavonóides, dentre eles, a luteonina e a quercitina, que além de terem poder antioxidante maior que o da vitamina E, também protege o coração contra o efeito dos lipídeos. As procianidinas substâncias encontradas na polpa da uva exercem efeito protetor sobre as paredes dos vasos sangüíneos, devido ao aumento da resistência das fibras colágenas. Por fim, estão os taninos presentes na casca da uva que impedem a destruição dos linfócitos de defesa, protegendo o sistema imunológico (Salgado, 2000).

Aveia A aveia tem qualidade hipocolesterolêmica, devido à presença de beta-d-glucanas, fibra solúvel resistente aos processos digestivos humanos, que possui a capacidade de aumentar a síntese de ácidos biliares e reduzir a absorção de colesterol, levando assim, à redução dos níveis de colesterol plásmatico. Há evidências de que a beta-d-glucana está envolvida na proteção contra o desenvolvimento de câncer de cólon e diminuição da absorção de glicose em diabéticos (Paschoal, 2001). Em 1997, o FDA, aprovou uma nova regulamentação permitindo que produtos de aveia integral possam trazer em seus rótulos apelo de benefício à saúde, relacionando seu consumo à redução de risco de doenças cardíacas, devido à comprovação de que a beta-d-glucana é o componente responsável pela diminuição do colesterol total e LDL do sangue em dietas que contenham cerca de 3g/dia desta substância. Isto equivale ao consumo de 40g de farelo de aveia e 60g de farinha de aveia (Paschoal, 2001).

Oleaginosas As oleaginosas são ricas em ácidos graxos insaturados e pobre em ácidos graxos saturados, são ótimas fontes de proteína vegetal, fibra dietética, vitaminas antioxidantes, minerais e fitoquímicos. Dentre esses os fitoesteróis conferem um efeito protetor contra o câncer e doenças cardiovasculares (Paschoal, 2001). O efeito anticancerígeno se dá através de diferentes mecanismos como inibição da proliferação celular, estímulo da morte de células tumorais, e modificação de alguns hormônios responsáveis pelo crescimento das células tumorais. Além disso, os fitoesteróis inibem a absorção dietética e biliar de colesterol, o que resulta em um efeito hipocolesterolêmico (Awad, 2000).

Semente de linhaça A semente de linhaça tem influências favoráveis em resposta ao sistema imune. Contêm 55% de ômega 3 e de 15 a 18% de ômega 6. A lignana presente na linhaça é um potente inibidor da atividade das plaquetas e um mediador das inflamações. Devido a isso, a linhaça é utilizada em tratamentos de desordens caracterizadas em parte pela atividade dos linfócitos e em resposta a hiper estimulação imune. Entre essas desordens estão artrites reumáticas, psoríase , esclerose múltipla e lúpus eritomatoso (Tavares, et al, 2000).

Cogumelo O cogumelo apresenta atividade antitumoral. Em estudos com animais o consumo de shitake inibiu a metástase em 53,2% dos casos, enquanto maitake, inibiu em 43,3% (Kidd, 2000). O conhecimento sobre as propriedades dos cogumelos são bastante recentes, sendo necessários mais estudos sobre o assunto (Borchers, 1999; Mattila, 2000).

Azeite de Oliva As propriedades benéficas do azeite de oliva, principalmente virgem são atribuídas ao seu conteúdo de ácidos graxos monoinsaturados, agentes fenólicos, triterpeno, esqualeno e lignana (Owen, 2000). Devido a suas ações antiaterogênica, hipotensora, anticancerígena, imunológica e sobre o aparelho digestivo, é considerado um alimento funcional (La Lastra, 2001; Patrick & Uzick, 2001). O ácido graxo monoinsaturado aumenta a quantidade de receptores de LDL, tem poder antioxidante, não oxidando a lipoprotéina LDL (Hargrove, 2001).

Cenoura A cenoura contém um alto teor de beta-caroteno. Os isolados da cenoura que são glicosídeos de cumarina, conhecidos como DC-2 e DC-3 apresentam propriedade hipotensiva, através do bloqueio dos canais de cálcio (Gilani, 2000).

Além dos alimentos citados acima, produtos sem gordura, iogurtes, bebidas isotônicas, alimentos fortificados, pão enriquecido e sal iodado também entram na categoria dos alimentos funcionais. Os produtos marinhos nutracêuticos são parte de uma pequena porção desse mercado. Fontes alimentares contendo óleo de peixe rico em ácidos graxos ômega três, eicosapentaenóico (EPA) e docosaexaenóico (DHA); óleo de alga enriquecido com DHA, óleo de fígado de tubarão, mexilhão, entre outros são exemplos da ascensão do mercado de alimentos funcionais (Tavares, et al, 2000).

Dra Milene Massaro é nutricionista da Secretaria de Agricultura e Abastecimento d de São Paulo além de consultora de programas de TV. Participou da equipe técnica que desenvolveu os livros Receitas Diet e Diga Não ao desperdício, receitas desenvolvidas e testadas pela Cozinha Experimental do Serviço de Orientação ao Consumidor da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de SP.